Patrimônio – uma cidade déco
“Recordar hoje é meu tema”!
Campina começa o século XX com ares de grande cidade. No início da década de 1940, seu centro já possuía iluminação pública, trafego regular de veículos, abastecimento de água, instalação de telefones, calçamento das principais ruas, cinemas, colégios, clubes, fábricas, praças e tudo que uma cidade em ascensão precisava. De fato, era um dos principais polos urbanos do Nordeste, uma das maiores praças de algodão do mundo e vinha crescendo em uma velocidade exponencial.
Paralelo ao desenvolvimento, um campinense de nome exótico, chamado Vergniaud Wanderley foi nomeado prefeito da cidade em agosto de 1940, seu apresso pela arquitetura modernista, em especial o art déco, foram responsáveis por uma das maiores revoluções urbanas da Rainha da Borborema.
Vergniaud foi responsável por construir o primeiro edifício art déco do município, o suntuoso Grande Hotel, que mais tarde seria adquirido pela municipalidade e se localiza onde atualmente funciona as secretarias de Administração e Finanças da PMCG. Durante sua gestão nos anos de 1940 e 1945, Wanderley promoveu uma reforma gigantesca, apoiando a construção de novos edifícios modernos e demolindo edificações antigas visando o desenvolvimento e progresso.
De fato, sua gestão foi extremamente importante para a configuração urbanística que Campina Grande tem hoje. Porém, diversas edificações importantes para a história de nosso município foram demolidas nesse projeto, entre elas: célebres casarões coloniais, o Paço Municipal e a Igreja do Rosário que se encontrava ao lado do Cine Capitólio. Além disso, fechou becos, acabou com cortiços, alargou e calçou ruas e construiu a maior artéria urbana da cidade, a atual Av. Floriano Peixoto.
Desse momento em diante, os primeiros edifícios art déco da cidade começam a aparecer, como o palacete da municipalidade (atual Biblioteca Félix Araújo), o prédio da Recebedoria de Rendas, o cais circular do Açude Velho e o prédio da Central Elétrica às margens do Açude Velho.
A gestão de Wegniaud Wanderley foi consideravelmente prejudicial à história de Campina Grande, as demolições apagaram boa parte dos registros urbanos e identidade do município. Em contrapartida, uma nova identidade foi construída e abraçada pelos campinenses, o art déco, que permanece vivo em edificações como: o prédio dos Correios, a Estação Ferroviária Nova, o Cine São José, o Ferro de Engomar e diversas outras casas e monumentos do município.
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